No início da década de 1970, Guy era mais um dos garotos que amavam os Beatles e sonhavam em ganhar a liberdade. Filho de uma família de classe média, passava seu tempo entre a escola, aulas de teatro, artes marciais e canto. Por isso, imaginava viajar o mundo, sempre a cantar, afinal era um sonhador, mas não era o único da sua época. Não queria ir para a guerra. Queria ser livre para honrar seu sobrenome.
Por isto, Guy Laliberté, já aos 14 anos vivia nas ruas cantando, acompanhado da sua sanfona e contando estórias para os que paravam interessados em ouvir suas aventuras. Cada vez mais confiante com o dinheiro que as pessoas depositavam no seu chapéu, Guy viajou para a Europa, aos 18 anos.
Chegou em Londres quase sem dinheiro e lugar para ficar. Dormiu a primeira noite em um banco do Hyde Park. Mas rapidamente fez amizades com outros artistas de rua. Aprendeu técnicas de engolir fogo, malabarismo, mágica e perna de pau e visitou várias cidades europeias. Foi um ano de intensos aprendizados, aventuras e mais confiança na sua capacidade de entreter o público.
De volta a Quebec, cidade em que morava, Guy não só dominava várias técnicas de arte de rua mas também já organizava pequenos shows com a colaboração de outros artistas.
“Convide artistas de rua, pague um sanduíche e eles ficarão muito felizes. Gerencie o dinheiro que jogam no chapéu e seja disciplinado com aquilo que você faz” – explicou Guy sobre como começou e, na verdade, sobre como gerencia seu negócio até hoje.
Em 1984, a cidade de Quebec completaria 450 anos e para celebrar o acontecimento, a prefeitura preparou vários eventos, incluindo a contratação de Guy e seu sócio Gilles Ste-Croix para organizarem vários shows na rua da cidade para entreter os visitantes. Com dinheiro e muita criatividade, a dupla preparou shows de encantamento quase hipnótico tamanha a qualidade visual e de execução dos grandes artistas contratados.
A maioria dos artistas estava plenamente realizada com o reconhecimento do público. Finalmente tinham muito orgulho do trabalho que executavam há tantos anos. Entreter o público já não era apenas um passatempo, mas uma grande e nobre responsabilidade. Mas e agora que as festividades acabaram? Ciente disso, Guy propôs a criação de um circo em que todos seriam profissionais pagos. Todos teriam uma carreira e não precisariam mais se sujeitar a ficar passando o chapéu. Todos seriam astros do Circo do Sol. E o resto da trajetória do Cirque do Soleil você conhece em alguma ou todas as partes.
Todos os grandes empreendedores querem, pelo menos em sonho, reunir os melhores talentos que conhece da região, estado, país ou até do mundo.
Mas como pagar para ter os melhores?
A reposta pode estar na reflexão do trabalho de Frederick Herzberg publicado em 1968 na Harvard Business Review. Seu artigo One more time: how do you motivate employees? se tornou um clássico da Administração e até hoje é discutido.
http://blogs.pme.estadao.com.br/blog-do-empreendedor/mantenha-seus-colaboradores-motivados-inspirado-em-guy-laliberte-do-cirque-du-soleil
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