domingo, 27 de fevereiro de 2011

Desmatamento na Amazônia Legal cresce cerca de 1000% em um ano, afirma Imazon

O Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia) divulgou nesta quarta-feira, 23 de fevereiro, um boletim que mostra um excessivo aumento no desmatamento da Amazônia Legal. Os números negativos apontam obras de infraestrutura como as principais responsáveis do recrudescimento do desmate na região.

De dezembro de 2009 a dezembro de 2010, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) registrou um aumento de exatos 994% do desmate da Amazônia. Em quilômetros quadrados, isso equivale a um crescimento de 159 quilômetros quadrados do ano anterior - em 2009, o número foi de 16 km2 enquanto 2010 obteve 176 km2 desmatados.

Os primeiros resultados de 2011, já detectados pelo sistema, mostram que o aumento ainda persiste. O crescimento de 22% de janeiro de 2011 para o mesmo mês do ano anterior, 83 km2 em 2011 contra 68 km2, evidenciam que o desmate na região amazônica não cessou.

O sistema via satélite do Imazon registrou outro avanço do desmate. De agosto a janeiro de 2011, a devastação cresceu 3% ao período de 2009, numa diferença de 22 km2.

Florestas degradadas

Quanto às florestas degradadas, as notícias do relatório permanecem ruins. São 4.818% de aumento na degradação das florestas de 2010 para 2009. Em dezembro de 2009, 11 km2 haviam sido registrados, já neste mês em 2010, foram somados i541 km2 de desmate. Em janeiro de 2011, o satélite detectou também um aumento de 637% de degradação.

Pelo menos o número http://migre.me/3jAYx de carbono florestal comprometido pelo desmatamento diminuiu. Nos últimos seis meses, o satélite percebeu uma redução de 5,2% em relação ao período anterior. Em 2009, 47 milhões de toneladas de CO2 foram afetados, enquanto que até janeiro de 2011, os números chegaram a apenas 13,9 milhões de toneladas de carbono florestal comprometido.

Obras de infraestrutura são responsáveis pelo desmate

Segundo o Imazon, o município que mais desmatou em dezembro foi Porto Velho, 39 km2, justamente o local onde ficam as hidrelétricas do Rio Madeira.

margens do rio madeira foram desmatadas para a usina
Margens do Rio Madeira foram desmatadas para a usina/Foto: Riosvivos.org

Para Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon, esta é a causa mais provável para os consequentes desmates da região. "Não tem outra explicação que não sejam Jirau e Santo Antônio. Deveria ser uma área alvo de fiscalização.", criticou o pesquisador.

O consórcio Santo Antonio Energia está fazendo o desmate, autorizado pelo Ibama, de 110 quilômetros quadrados para o reservatório da usina. Porém, segundo a coordenadora de Relações Institucionais da Santo Antonio Energia, Mariana Scalzo, vai haver uma recuperação dessa área, já que ela afirmou que 350 quilômetros quadrados de área serão destinados às APPs (áreas de preservação permanente).

Outra região bastante desmatada e alertada tanto pelo Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais) quanto pelo Imazon é aquela próxima a duas obras de infraestrutura. As rodovias BR-319 e Transamazônica, que está sendo pavimentada, correspondem as áreas mais críticas de desmatamento: o sul do Amazonas e o estado de Rondônia.

Imazon e Inpe

O Inpe é o órgão oficial que registra os desmatamentos no Brasil. O que não quer dizer que os dados do Imazon, instituto de pesquisa cuja missão é promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia por meio de estudos, não estejam também corretos.

O SAD, sistema utilizado pelo Imazon, mesmo detectando, neste estudo, somente 30% da área florestal da Amazônia, porque as regiões estavam cobertas por nuvens nos períodos do estudo, encontrou números parecidos com os do Inpe, divulgados no começo desse mês.

Um exemplo disso são os números registrados de agosto de 2010 a janeiro de 2011, quando o SAD indicou 3% de aumento (de 836 km2 para 858 km2) do desmatamento. O sistema Deter, do Inpe, encontrou na mesma época, 10% de aumento de corte da floresta, registro parecido com os números do  Imazon.

O fato é que, em dois anos e meio, o desmatamento tem crescido bastante e o governo precisa investir mais nas políticas públicas em relação, principalmente, aos desmates das obras de infraestrutura do país.

http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2011/fevereiro/desmatamento-na-amazonia-legal-cresce-cerca-de

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