"A maior de todas as histórias de super-heróis já contada, e uma prova de que os quadrinhos são capazes de uma narrativa inteligente, emocionalmente tocante e digna de ser chamada literatura." Entertainment Weekly
"Uma leitura emocionante e de quebrar o coração, e um divisor de águas na evolução de uma jovem mídia." Lev Grossman, Time Magazine
"...uma façanha monumental da imaginação, combinando ficção científica, sátira política, evocação consciente do passado das HQs e uma corajosa reconstrução dos formatos gráficos atuais – tudo transformado em uma distópica história de mistério." New York times
Fazia algumas semanas que a menina de 6 anos havia desaparecido. A Polícia estava sem pistas. A investigação corria um sério risco de ir para o ostracismo. Mais um crime sem solução. Mais um bandido que se safa sem punição. Foi quando Rorschach descobriu uma pista que o levou a casa de um suspeito.
Não demorou muito para Rorschach encontrar as roupas de uma menina de 6 anos dentro de um forno. Latidos. Dois cães pastores alemães brigam no quintal da casa para ver quem fica com o toco destroçado de uma perna de criança. Foi o que sobrou da última refeição.
Rorschach ouve passos, a porta do apartamento se abre. O assassino está voltando para casa. Rorschach escondido surpreende o bandido. Inicialmente o pilantra se diz inocente. Pressionado por Rorschach, o monstro assume a culpa, "Sim, eu matei a menina, matei, matei, eu confesso, fui eu. Me leve preso, me joga na cadeia. Chama a polícia, me prende".
Enquanto o maluco se retrata com ares de arrogância e cinismo de quem sabe que vai se safar porque não existem provas o suficiente contra ele, Rorschach vê a sua respiração disparar, o sangue subir a cabeça, a raiva tomar conta das suas forças, ódio, fúria.
Rorschach pega uma gigantesca faca de açougueiro, e com um golpe certeiro racha a cabeça do fora-da-lei no meio. Não é o suficiente para a sua raiva diminuir, Rorschach arranca o facão da cabeça destroçada do cara, e desce um novo golpe raivoso, e mais um, e mais um, e mais um e mais um.
Rorschach é um WATCHMEN; um vigilante, um encapuzado que anda pelas ruas de Nova Iorque fazendo justiças - quando o sangue sobe a cabeça - com as próprias mãos. Às vezes ele prende os caras, mas, na maioria das vezes ele prefere jogar o lixo no esgoto.
WATCHMEN é um gibi, um gibi acima de todos os outros. Lançado em 1986, WATCHMEN é um culto, um gibi único. A única história em quadrinhos entre os 100 melhores livros de todos os tempos, segundo a revista Times. A propósito, enquanto você lê o QUEBRATUDO, WATCHMEN figura no primeiro lugar como livro mais vendido no site da Amazon. WATCHMEN está na lista dos livros mais vendidos e não dos gibis.
Antes de WATCHMEN, os heróis eram bonzinhos, e os vilões eram malzinhos.
O que o Super homem ou a Mulher Maravilha teriam feito com o matador de criançinhas se o tivessem descoberto? Antes de WATCHMEN, o Super Homem teria pego o cara pelo paletó e voado com ele até o presídio mais próximo; a Mulher Maravilha teria laçado o cara pela cintura, aprisionado no poste da rua e deixado um recado para a polícia encarcerar o bandido.
Antes de WATCHMEN, os quadrinhos viviam em um mundo a parte. Super herói não falava sobre política, religião, ou sexo. Super herói era raso, não levava um papo cabeça.
Quando WATCHMEN surgiu, às vendas de gibis estavam em declínio acentuado. As novas gerações não estavam mais comprando a história do cara que usa cueca vermelha em cima de um colã azul (Super Homem), como acreditar na força de um super herói que anda por aí com um companheiro de macheza duvidosa (Batman e Robin).
WATCHMEN trouxe os super heróis para o mundo real da autenticidade. Pela primeira vez na história, os super heróis começaram a apresentar sinais de fraqueza humana, violência, conflitos emocionais, raiva, tesão. Ao ser HONESTO e AUTÊNTICO, WATCHMEN revolucionou os quadrinhos e toda a cultura pop a partir dos anos 80. Depois de WATCHMEN, tiveram que reinventar o Batman, o Super Homem, o Homem Aranha etc. Batman, o Cavaleiro das Trevas surgiu na onda de WATCHMEN.
Hoje, fala-se de autenticidade no marketing e nos negócios, WATCHMEN com certeza teve grande influência sobre isso. Eu mesmo li WATCHMEN em 1986, até hoje guardo as 12 edições originais do gibi na minha casa. 12 edições essas que já sobreviveram a vários namoros, e recentes investidas da minha esposa para que eu me livre das minhas velhas revistas e livros. "Quando você vai se livrar dessa tralha que você não lê mais?", "NUNCA!" respondo eu.
Eu estava esperando pelo filme WATCHMEN há 21 anos. Na última sexta-feira ele finalmente estreou no mundo inteiro. Eu corri para assistir no primeiro dia, e diga a todos: O FILME É MARAVILHOSO, SOBERBO, FANTÁSTICO. Uma obra de arte da história do cinema, um marco, direção, música, fotografia, cores, atuação dos atores, diálogos pincelados a dedo das 500 páginas do gibi, simplesmente o MELHOR FILME dos últimos anos, e com certeza um dos melhores de todos os tempos.
Mas não se apresse. Se você nunca leu WATCHMEN provavelmente não vai gostar do filme. A primeira impressão que terá é de um filme esquisito, meio cabeça, meio lento, meio rápido, a história vai e volta para o presente e futuro, papo cabeça, non sense.
Uma das cenas mais engraçadas do filme mostra o Coruja, um dos WATCHMEN, "brochando" ao tentar fazer sexo com Laurie, a Espectral. Algumas cenas depois, quando ele finalmente consegue copular, o sexo tem ao fundo uma Lua maravilhosa e a música "Aleluia" interpretada por Leonard Cohen. Em outra cena picante, Dr. Manhattan convoca alguns clones de si mesmo para dar conta da mesma Laurie, enquanto trabalha em alguma coisa relacionada com física quântica.
Você já tinha visto um cara cheio de poderes ultra especiais dar prá trás em uma relação sexual? Ou você já tinha visto alguém partir para o sexo com a cabeça no trabalho?
COM CERTEZA, talvez você não tenha visto um Batman ou Super Homem fazer isso, mas você provavelmente conhece algum empresário, executivo, artista metido a besta, web design de sites fantásticos, faltando no trabalho de casa, certo? Certo?!
WATCHMEN é um tapa na cara da mediocridade. É muito fácil odiar WATCHMEN, o difícil é assistir ao filme tentando imaginar o porquê de todos os elementos, cores, músicas e símbolos colocados em cada cena. E brincar de adivinhar, pensar, refletir sobre o ser humano, política, vida, deus, universo.
O cenário agora é o Vietnam. A pedidos do presidente Nixon, os WATCHMEN interferem na guerra, e levam o caneco para os EUA. O Comediante, um dos WATCHMEN, bebe a vitória dos EUA em um bar boca de lixo enquanto mete a boca nos políticos americanos e vietnamitas que provocaram uma guerra sem sentido nenhum. Comediante conversa com o Dr. Manhattan, o WATCHMEN mais poderoso de todos, o verdadeiro super homem, ou Deus.
Nesse momento uma garota vietnamita, grávida e desesperada, entra no bar e começa a gritar com o Comediante. "Eddie, agora que a guerra acabou, você tem que assumir o seu filho. Você tem que casar comigo, me levar para os EUA", exige a menina, "Você é maluca", responde o Comediante, "Eu quero que você vá para o inferno, eu não quero nada desse país, sai daqui". Nessa a menina quebra uma garrafa na mesa e rasga o rosto do Comediante com os cacos de vidro. Enfurecido, ele tira a pistola do coldre e aponta para a cara da menina. "Não faça isso Eddie!", diz Dr. Manhattan, "Não atire". É o bastante para o Comediante matar sem nenhuma piedade a coitada da vietnamita.
"Ela estava grávida, você atirou nela", diz Dr. Manhattan. "Sim, e você deixou que eu fizesse. Você sempre sabe o que vai acontecer, e poderia ter me detido, transformado a arma em vapor, as balas em mercúrio, sei lá, mas não o fez. Você fala de ajudar os outros, mas no fundo você não está nem aí para o Ser Humano. Dr. Manhattan, você está endurecendo."
O Comediante deixa o bar, Manhattan olha a menina e pensa, "É verdade. Eu não queria salvá-la. Por que eu salvaria alguém idiota a ponto de se deixar engravidar por um soldado americano, e ainda por cima acreditar que ele a levaria para os EUA e assumiria a paternidade. Gente assim merece morrer."
Que paulada, heim? WATCHMEN não é para medíocres. WATCHMEN não é um conto de fadas. WATCHMEN é autêntico como você, eu e todo mundo deve ser.
O final da histórica é catastrófico. Para evitar uma guerra nuclear entre os EUA e a União Soviética, um dos WATCHMEN provoca múltiplas explosões nucleares por todo o planeta matando milhões de pessoas de diferentes nacionalidades. "Quem se importa? Se esse é o preço para ter a paz, se esse é o preço da evolução, que morram os milhões de medíocres que existem em todas as cidades e não merecem viver". pensa Dr. Manhattan.
Por essas e outras, o cidadão comum se enche dos WATCHMEN. Em 1977, os WATCHMEN são banidos da sociedade americana. O cidadão médio não quer heróis. Não quer exemplos morais. O cidadão médio não quer ser vigiado por ninguém. Não quer ser cobrado por nada. O cidadão comum quer levar a vida numa boa, vendo televisão, comendo hambúrguer, fingindo que gostam do trabalho que faz, e odiando WATCHMEN porque é mais fácil odiar WATCHMEN do que pensar sobre WATCHMEN.
Já que é para o bem do povo e a felicidade geral da nação, os WATCHMEN se aposentam. O crime cresce, os vagabundos se multiplicam, a ética vai para o saco. Richard Nixon - que na história real foi um baita picareta -, em WATCHMEN é reeleito para o cargo de presidente três vezes porque a mediocridade baniu os WATCHMEN e o mínimo de moralidade.
Com o mundo à beira de uma terceira e última guerra mundial, Dr. Manhattan, o único que poderia resolver o problema se muda para Marte. Laurie, sua ex-namorada, viaja até o planeta vermelho na tentativa de convencê-lo a salvar a Terra.
"Eu questionava o sentido de tanta labuta. O propósito do esforço sem fim, que leva a nada, deixando as pessoas vazias e desiludidas, deixando-as alquebradas." diz Manhattan, "Tudo bem, admito que muita gente não realiza nada palpável em suas vidas, mas será que nós não temos importância no conjunto do universo? Só a existência da vida não é algo significativo?", diz Laurie.
"Na minha opinião, ela é um fenômeno exageradamente valorizado. Marte se dá muito bem sem um único microorganismo. Sem vida alguma mas com degraus de trinta metros de altura, esculpidos pela areia e vento numa topografia em constante mudança, fluindo e mudando de direção ao redor do pólo em ondas de milhares de quilômetros. Diga-me, que benefício um oleoduto traria para a paisagem de Marte? Que benefício um Shopping Center traria para Marte?"
"Você precisa me contar algo melhor do que isso para me convencer que o seu planeta azul é melhor do que o meu planeta vermelho".
WATCHMEN, banido pela mediocridade por ser soberbo, fantástico, único. Agora eu quero o DVD com 20 minutos extras de filme.
"A Humanidade quer saber apenas de milagres. A Humanidade não está nem aí para Deus". Fiódor Dostoiévski
NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA.
QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?
by BIZREVOLUTION
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